quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Histórias reais e imaginárias da companhias ferroviárias do Brasil 2 (i). Jonas AXS – JAX.



Esse arquivo registra os acontecimentos da história das ferrovias do Brasil e o progresso que elas trouxeram para o país. Algumas companhias existiram e outras fui eu que criei. Já as que existiram tiveram modificações, como datas, acontecimentos e bitolas, mas também tem as partes reais que aconteceram.


América Latina Logística. 

Tempo de operação: 1997-2015.

Bitolas: 1,000 mm e 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Curitiba, PR.

Local: Brasil.

Áreas: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Triângulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Xingu, Desbravadouro e Granrrios.

A companhia foi fundada em 1997, como Ferrovia Sul Atlântico, uma das três primeiras companhias a assumir os serviços ferroviários no Brasil após o processo de privatização da malha ferroviária brasileira. Sua concessão se estendia nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte.

Em 1999, a companhia passou a adotar o nome de América Latina Logística (ALL), após adquirir concessões para explorar ferrovias nas regiões central e nordeste da Argentina, pertencentes as companhias MESO ou FMGU - Ferrocarriles Mesopotámico General Urquisa e BAP - Ferrocarriles Buenos Aires al Pacifico.

Em 2001, adquiriu a Delara, empresa de transportes rodoviários no Brasil, e ampliou seu suporte logístico.

Em 2006, com a aquisição da Brasil Ferrovias e Novoeste, passou a atuar também em áreas estratégicas do Centro-Oeste, Norte e de São Paulo, tornando-se a maior companhia de logística com estrutura ferroviária do Brasil. A compra foi feita por meio do processo de troca de ações entre os controladores das empresas.

Seus ativos passaram a abranger a Malha Norte, Malha Oeste, Malha Sul e Malha Paulista das concessões originais da RFFSA, com mais de 20.000 km de extensão, dos mais 160 mil km de linhas férreas existentes no Brasil, abrangendo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Triângulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Xingu, Desbravadouro e Granrrios. Em 2009 adquiriu a Ferrovia Centro Oeste Brasileiro, alcançando a região Norte.

Em 2010 iniciaram a construção da linha de Paranatinga á Santiago do Norte no Mato Grosso, sendo concluída em 2014.

Em 2010, a ALL operava a mais extensa malha ferroviária da América do Sul, com mais de 30.000 km de extensão, sendo detentora de concessões em uma área de cobertura que alcançava 75% do PIB do Mercosul, por onde passam 78% das exportações de grãos da região, rumo a alguns dos principais portos instalados no Brasil e na Argentina. A companhia operava de forma integrada nos setores ferroviário e rodoviário, uma frota de 1070 locomotivas, 31.000 vagões, 70 Road Railers (carretas bimodais que trafegam em ferrovias e rodovias) e 1.000 veículos entre próprios e agregados, e contava com unidades localizadas em pontos estratégicos para embarque e desembarque de carga.

Com 8.470 empregados diretos, entre próprios e terceiros, e 25 mil indiretos, distribuídos por mais de 30 unidades em seis estados do país, a ALL atuou em três segmentos de negócios no transporte ferroviário: commodities agrícolas, combustíveis e produtos industrializados. Além disso, prestou serviços rodoviários, operações de terminais e armazenagem. Foi considerada a "Empresa mais admirada" no segmento de logística, segundo ranking da Revista Carta Capital.

Em julho de 2011, a ALL formou com a transportadora Ouro Verde um empreendimento conjunto na área da logística rodoviária uma nova companhia chamada Ritmo Logística, na qual a ALL teve a participação de 65% e a Ouro Verde, 35%.

Em junho de 2013, o governo argentino cancelou o contrato da ALL por violações "graves" dos contratos, ao não investir e acumular multas no valor de 30 por cento da concessão. Até junho de 2013, operava também nas regiões de Paso de los Libres, Buenos Aires e Mendoza, na Argentina. A operação da empresa na Argentina estava sendo estrangulada por imposições do Governo estatizante de Cristina Kirchner e acabou tendo a concessão cassada sob a alegação de falta de investimentos e dívida de impostos.

Em 2015, se fundiu com a Rumo Logística do Grupo Cosan, que absorveu a ALL por meio do processo de troca de ações entre seus controladores. 


Ferronorte.

Tempo de operação: 1866-2006.

Bitola: 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Cuiabá, Mato Grosso.

Local: Brasil.

Áreas: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Xingu, Desbravadouro e Granrrios.

 

No início do século XIX já se planejava uma estrada para ligar Cuiabá a Santarém e uma hidrovia pelos rios Tapajós e Teles Pires (antes São Manoel). Em 1841 foi criado um de uma ferrovia para ligar o Mato Grosso ao Pará, mas para isso acontecer tinha que esperar a conclusão das eclusas e canais no rio Madeira que somente foram concluídas em 1849, mas ainda não havia previsão para as obras das eclusas nos rios Tapajós e Teles Pires. O primeiro objetivo era ligar Cuiabá até os rios Paranaíba e Paraná e se ter acesso ás província de São Paulo.

Somente então em 1866 foi criada a Estrada de Ferro Norte, e no mesmo iniciou-se a construção da linha de Cuiabá á Porto Taboado (atual Aparecida do Taboado), atualmente no Mato Grosso do Sul, passando em Alto Araguaia (MT), sendo concluída em 1874.  A ferrovia foi construída em dois sentidos: São Jerônimo (atual Rondonópolis) á Cuiabá, e de São Jerônimo á Porto Taboado. Em 1875 a ferrovia foi estendida até Santana do Paranaíba (atual Paranaíba). No mesmo foi construído o ramal de Porto Correntes, distrito de Milão em Mato Grosso. Em 1876 iniciaram a construção da ponte sobre o Rio Paraná, concluída em 1880, fazendo a conexão com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro na província de São Paulo.

Em 1882 foram abertas as obras da linha de Alto Araguaia á  Barra do Bugres no Mato Grosso, tendo sua conclusão em 1886. Em 1890 deram início á construção da linha de Alto Araguaia no Mato Grosso á Itumbiara em Goiás no sentido leste oeste, passando em Jataí (GO), sendo concluída em 1895. Em 1896 iniciou-se a construção da linha de Santa Helena de Goiás á Palmeiras de Goiás no estado de Goiás no sentido norte sul, sendo finalizada em 1899.

Em 1901 deram início á construção da linha de Milão em Mato Grosso á Coxim em Mato Grosso do Sul, sendo concluída em 1905.  Somente em 1909 iniciaram a construção da linha de Coxim á Campo Grande no Mato Grosso do Sul, passando em Rochedo (MS), sendo concluída em 1915. Em 1919 foram abertas as obras da linha de Cuiabá á Diamantino no Mato Grosso, passando em Jangada (MT), tendo sua conclusão em 1923.  Em 1935 deram início ás obras da linha de Diamantino á São Manoel do Norte (atual Sorriso) no Mato Grosso, sendo concluída em 1940. Em 1942 foram abertas as obras da linha de Corguinho no Mato Grosso do Sul á Jataí em Goiás no sentido leste oeste, passando em Camapuã (MS), sendo finalizada em 1946. Na época, a ferrovias foi construída até Santo Antônio do Norte (antiga capital) do território do Xingu.

Em 1947 deram início ás obras da linha de Rio Verde á São Simão em Goiás, tendo sua conclusão em 1950. Em 1952 foram abertas as obras da linha de Cuiabá no Mato Grosso á Corumbá em Mato Grosso do Sul no sentido norte sul, passando em Poconé (MT), sendo concluída em 1957. Em 1960 iniciou-se a construção da linha Santo Antônio do Norte (atual Sinop) no Xingu á Florestânia (antiga capital do Desbravadouro) no sentido norte sul, sendo finalizada em 1964. Em 1972 iniciaram as obras da linha de Matupá no Xingu á Itaituba em Granrrios no sentido norte sul, sendo concluída em 1976.

Em 1978 foram abertas as obras da linha de Jaciara á Cocalinho no Mato Grosso, passando em Primavera do Leste (MT), tendo sua conclusão em 1983. Em 1986 deram início á construção da linha de Campolina á Santiago do Norte no Mato Grosso, passando em Paranatinga (MT), sendo finalizada em 1990.

Em 2006 a Ferronorte foi adquirida pela América Latina Logística.


Ferrovia Bandeirantes S.A.

Tempo de operação: 1998-2002.

Bitola: 1,000 mm, 1,600 mm e mista.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: São Paulo, SP.

Local: Brasil.

Áreas: São Paulo, Paraná, Triângulo e Goiás.

Em 10 de novembro de 1998, ocorreu o leilão de privatização da Malha Paulista da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que foi arrematada por R$ 245 milhões.[1]

O consórcio vencedor foi composto pelaː Ferropasa – Ferronorte e Estrada de Ferro São Paulo Goiás. Participações S.A, Vale do Rio Doce, Shearer Empreendimentos e Participações, Fundos de Pensão (Previ/Funcef) e Chase Latin American Equity Associates.

Foram adquiridos 4.186 km, das quais 1.463 km em bitola larga, 2.427 km em bitola métrica e 296 km em bitola mista.[3] A malha possui ligações aos portos marítimos de Santos, COSIPA, e de portos fluviais nos rios Tietê e Paraná.[3]

A Malha Paulista (ex-Fepasa) da Rede Ferroviária Federal, sofreu duas cisões posteriormente: os trechos de Iperó a Apiaí e Rubião Júnior a Presidente Epitácio, ficaram sob o controle da América Latina Logística (ALL) em 2001 e o trecho de Valefértil/Uberaba (MG) e Boa Vista (SP) ficou sob o controle da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), pertencente à Vale, que deixou o quadro de acionistas da Ferrovia Bandeirantes, em 2002.[4][5][6]

Em 2002 foi fundida com a Ferronorte S/A (Ferronorte) e a Ferrovia Novoeste S/A, formando o Grupo Brasil Ferrovias S/A.

Em 2005, foi cindido do grupo a Novoeste, que passou a ser denominado Nova Novoeste; nesta cisão o trecho de Mairinque a Bauru passou a fazer parte da Nova Novoeste.

Em 2006 os controladores da Brasil Ferrovias  e da Novoeste Brasil trocaram suas ações com os controladores da ALL e estas passaram a fazer parte do Grupo América Latina Logística.

Em abril de 2015, a ALL foi absorvida pela Rumo Logística (Grupo Cosan) como resultado do processo de fusão entre as duas empresas.


Ferrovia Centro Oeste Brasileiro.

Tempo de Operação: 1980-2009.

Bitola: 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Goiânia, GO.

Local: Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Mato Grosso, Desbravadouro e Novo Paraguai.

Com a criação do Grande Plano Ferroviário em 1956, estava em estudos uma ferrovia para ligar Goiás, Tocantis, Pará, Mato Grosso e outros estados com a bitola de 1,600 mm, cuja o plano do governo federal era converter a malha nacional. Foi então que em 1979, os governos de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Desbravadouro e Novo Paraguai se uniram e adquiriram o projeto, e naquele ano foi criada a Ferrovia Centro Oeste Brasileiro. Em 1980 iniciaram as obras da linha de Goiânia e Anápolis em Goiás á Palmas no Tocantins no sentido norte sul, passando em Porangatu (GO), e também a linha de Brasília no Distrito Federal á Uruaçu em Goiás, tendo suas conclusões em 1984. Foi construído também o ramal de São Miguel do Araguaia em Goiás. Em 1985 deram início ás obras da linha de Campinorte em Goiás á Comodoro no Novo Paraguai no sentido leste oeste, passando em Cocalinho no Mato Grosso, sendo concluída em 1990. Foram construídas também a linha de Aruanã em Goiás e a linha de Nova Ubiratã á Sorriso no Mato Grosso. Com isso foi possível a curta conexão de Brasília á Manaus no Amazonas e outras capital no Norte, e a empresa teve um papel importe para o crescimento do Centro-Oeste e Norte. Em 2009, a Ferrovia Centro Oeste Brasileiro foi aquirida pela América Latina Logística (A.L.L).


Ferrovia Paulista S.A.

Tempo de operação: 1971-1998.

Bitolas: 1,000 mm, 1,600 mm e mista.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: São Paulo, SP.

Local: Brasil.

Área: São Paulo. Paraná, Minas Gerais e Triângulo.

Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) foi uma empresa estatal paulista de transporte ferroviário de cargas e de passageiros, sendo constituída mediante a incorporação pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro das empresas Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara e Estrada de Ferro São Paulo e Minas. Permaneceu em atividade de outubro de 1971 até maio de 1998, quando foi extinta e incorporada à Rede Ferroviária Federal.

A consolidação da unificação das ferrovias vai ocorrer no governo de Laudo Natel, quando este através do Decreto nº 10 410, de 28 de outubro de 1971 sancionou a criação da nova empresa, oficializando a Fepasa - Ferrovia Paulista S/A.

Ao invés de ocorrer uma fusão entre todas as companhias, como preceituava a letra da lei, foi decidido em Assembleia Geral Extraordinária convocada para o dia 10 de novembro de 1971, alterar previamente a denominação social da "Companhia Paulista de Estradas de Ferro" para "Fepasa - Ferrovia Paulista S/A", seguido de incorporação à Fepasa do acervo total da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, da Estrada de Ferro Araraquara, da Estrada de Ferro Sorocabana e da Estrada de Ferro São Paulo e Minas, onde logo em seguida as quatro companhias foram declaradas extintas.

A unificação teve por objetivo possibilitar a centralização dos estudos de programa de investimentos e coordenação dos serviços ferroviários, a centralização das importações, da contabilidade e do orçamento; a uniformidade do serviço e do material, bem como o remanejamento do material existente e melhor aproveitamento do pessoal.

 As décadas de 1970 e 1980 foram períodos de grandes investimentos na ferrovia, quando, com o apoio de entidades como o Banco Mundial, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, entidades de fomento de exportações e bancos de crédito internacionais, desenvolveram-se programas de melhoria e expansão da malha.

A Fepasa, visando acompanhar o desenvolvimento do Estado, adotou como metodologia o planejamento operacional por rotas, mais adequada às exigências da demanda, permitindo-se assim o aprimoramento da gestão do material rodante bem como a celebração de contratos de risco com grandes clientes, envolvendo garantias de carga por parte destes e de volume e prazo de transporte por parte da ferrovia. Consequentemente muitas estações e paradas foram fechadas, enquanto outras consideradas de alta produção receberam investimentos.

O principal projeto da Fepasa foi o Corredor de Exportação Araguari-Santos, que abrangeu a retificação de traçado na antiga Linha Tronco da Mogiana (dando acesso ao terminal da Refinaria de Paulínia), além da retificação do traçado e adição da bitola mista na antiga linha da Sorocabana, que vai de Campinas a Santos, cruzando a Serra do Mar e dando acesso à margem esquerda do Porto de Santos.

Outro importante projeto foi a retomada das obras da Variante Itirapina-Santa Gertrudes, no início dos anos 70, que encurtou em quase 5 quilômetros a distância entre estas cidades e modernizou parte do traçado da antiga Linha Tronco da Paulista. Esta nova variante foi finalizada em 1976.

Quanto ao material rodante, houve a aquisição de 148 novas locomotivas e de centenas de novos vagões em substituição aos que estavam sucateados. Os investimentos resultaram em expressivo crescimento do transporte ferroviário, que evoluiu de 8 milhões de toneladas/ano em 1976 para 22 milhões de toneladas/ano em 1986, recorde da história da empresa.

Incorporação pela RFFSA

Em 29 de março de 1996 a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos absorveu os sistemas de trens da Fepasa DRM, e passa a operar efetivamente as atuais Linha 8–Diamante e Linha 9–Esmeralda, que faziam parte da malha ferroviária utilizada para o transporte suburbano nas regiões Oeste e Sul da Grande São Paulo, e também o Trem Intra Metropolitano (TIM) que atendia a Baixada Santista. Essa cisão ocorreu para que se iniciasse a privatização da malha da Fepasa e que os serviços de transporte metropolitano de passageiros permanecessem sob controle do estado.

Em 23 de dezembro de 1997 a Fepasa foi transferida para a União como pagamento de dívidas do governo de São Paulo e do BANESPA pelo então governador Mário Covas. Em 18 de fevereiro de 1998 pelo Decreto número 2 502 da Presidência da República foi autorizada a incorporação da Fepasa à RFFSA - Rede Ferroviária Federal, que já estava em processo de desestatização, sendo a transferência homologada após a autorização dada pela Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 29 de maio de 1998. Com isso, o trecho correspondente a malha ferroviária da antiga Fepasa passa a se chamar Malha Paulista da RFFSA.

Concessão da Malha Paulista

No leilão de concessão da Malha Paulista pela RFFSA ocorrido no dia 10 de novembro de 1998 na Bolsa de Valores de São Paulo, foi vencedor o consórcio Ferroban - Ferrovia Bandeirantes por um período de 30 anos renováveis em igual prazo contados a partir de 1 de janeiro de 1999, quando assumiu o controle do trecho paulista.

No processo de concessão, a malha original de bitola métrica da Fepasa sofreu duas cisões: O trecho de Campinas a Uberlândia (MG), oriundo da CMEF, ficou sob o controle da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), e os trechos de Iperó a Apiaí e de Rubião Junior a Presidente Epitácio, oriundos da EFS, ficaram sob o controle da Ferrovia Sul Atlântico (FSA).

No ano de 2002 a Ferroban teve seu controle assumido pela holding Brasil Ferrovias, que em 2004 transferiu o trecho de bitola métrica entre Mairinque e Bauru para a Ferrovia Novoeste. Em 2006, a Brasil Ferrovias foi absorvida pela América Latina Logística (ALL), em vista da operação de incorporação de ações.

Desde abril de 2015, a Malha Paulista é administrada pela Rumo Logística, que incorporou a ALL. Em novembro de 2015, a Rumo protocolou um pedido formal na ANTT para a renovação antecipada da concessão da Malha Paulista por mais trinta anos. O contrato de renovação foi assinado em 27 de maio de 2020, estendendo o prazo da concessão até 2058. 


Leste Oeste Ferrovias.

Nome: Leste Oeste Ferrovias.

Tempo de Operação: 1980-2010 presente.

Bitola: 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Ilhéus, IL.

Local: Brasil.

Áreas: Ilhéus, Bahia, São Francisco e Goiás.

Durante o Grande Plano Ferroviário em 1956, estavam em estudos uma nova ferrovia para conectar o estado de Ilhéus á Goiás, Mato Grosso e região norte com a bitola de 1, 600 mm, já que o governo pretendia padronizar a malha nacional. Passaram-se os anos e não havia o início de construção da ferrovia, até que em 1973, os governos de Ilhéus. Bahia e Goiás se uniram em construir a ferrovia. Parte do projeto era conseguir adquirir a linha de Jequié á Ubaitaba no estado de Ilhéus da Rede Ferroviária Federal S.A, a empresa entrou em acordo e cedeu o trajeto  Em 1979 foi criada a Leste Oeste Ferrovias com a sede em Ilhéus capital. Em 1980 foram abertas as obras da linha de Ilhéus capital á Campinorte em Goiás no sentido leste oeste, passando em Correntina e Barreiras no São Francisco, sendo concluída em 1984, se conectando com a Ferrovias Centro-Oeste Brasileiro. Essa obra foi fundamental para crescer ainda mais as regiões Nordeste e Centro-Oeste. Em 2010, a Leste Oeste Ferrovias foi adquirida pela V.L.I (Valor da Logística Integrada).  


Norte Sul.

Tempo de Operação: 1949-2010.

Bitola: 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Belém, PA.

Local: Brasil.

Áreas: Pará, Maranhão, Carajás e Tocantins.

Planejada na década de 1930 pelo governo do Pará, o projeto foi criado para ligar o Pará ao Rio Grande do Sul com a bitola de 1,600 mm, no entanto, expandir a ferrovia até o Sul não tinha previsão, e o traçado estava em estudos. Entretanto, o governo paraense pretendia construir a primeira parte da ferrovia no Pará, o que teve aprovação. Em 1948 foi criada a Norte Sul, e em 1949 iniciaram as obras da linha de Belém á Gurupizinho (atual Ulianópolis) no Pará, passando em Paragominas, sendo concluída em 1954. Em 1956 surgiu o Grande Plano Ferroviário, onde novas ferrovias estavam em estudos, e uma delas a ligação direta do Pará á São Paulo e Rio Grande do Sul, mas ainda não tinha definido o início das obras. Em 1979, os governos do Pará, Carajás, Maranhão e Tocantins se uniram em investir na expansão da ferrovia. Somente em 1981 foram abertas as obras da linha de Ulianópolis no Pará á Palmas no Tocantins, passando em Imperatriz no Maranhão, sendo finalizada em 1984. Foi construída também a linha de Araguaína no Tocantins á Marabá no Carajás. Em 1985 iniciaram a construção da linha de Santa Rosa do Pará (PA) á Mazagão no Amapá, passando em Anajás (PA), sendo concluída em 1989. A Norte Sul foi importante para o crescimento econômico do Brasil através dessas novas conexões. Em 2010 foi adquirida pela Valor da Logística Integrada (V.L.I).


Rede Ferroviária Federal S.A.

Tempo de operação: 1957-1997.

Bitolas: 0,760 mm, 1,000 mm e 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Juíz de Fora, MG.

Local: Brasil.

Região Sul: Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Região Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Minas do Norte e Triângulo.

Região Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Novo Paraguai e Mato Grosso do Sul.

Região Nordeste: Ilhéus, São Francisco, Bahia. Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão.

Região Norte: Pará e Tocantins.

Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) foi uma empresa estatal brasileira de transporte ferroviário criada em 1957 com a finalidade de administrar, integrar e modernizar as ferrovias pertencentes à União, então dispersas em diversas companhias regionais. Com sede no Rio de Janeiro, constituiu-se na principal operadora ferroviária do país na segunda metade do século XX, desempenhando papel central na organização do sistema ferroviário nacional e na articulação territorial do transporte de cargas e passageiros em escala federal.

Criação e integração das ferrovias federais (1957-1963)

Em 1956 foi criado o Grande Plano Ferroviário, com o objetivo de construir novas ferrovias, padronização, viadutos, mudanças de trajetos, ferro anéis, pontes e outros. A Rede Ferroviária Federal S.A. foi criada pela no contexto do projeto desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, que buscava melhorar ainda mais a infraestrutura de transportes como parte do novo programa de industrialização e integração territorial do país. A nova empresa assumiu a administração das estradas de ferro pertencentes à União, com a finalidade de unificar a gestão.

A constituição da RFFSA representou a centralização de um conjunto heterogêneo de companhias com origens diversas — algumas criadas ainda no Império, outras encampadas ao longo da Primeira República — que operavam com padrões técnicos distintos, material rodante incompatível e diferentes regimes de trabalho. Apesar que antes d 1957 o Brasil já possuía uma extensa conexão na maior parte e a integração nacional. Essa diversidade dificultava a articulação da malha e limitava a competitividade do transporte ferroviário diante da expansão do modal rodoviário.

Do ponto de vista institucional, a empresa foi organizada como sociedade de economia mista, com controle acionário da União, o que lhe permitia captar recursos no mercado e estruturar subsidiárias. A nova configuração também respondia à necessidade de coordenar a política tarifária, o planejamento da expansão da malha e a padronização técnica do sistema ferroviário nacional.

A incorporação das ferrovias ocorreu de forma gradual ao longo do final da década de 1950 e início da década de 1960, em meio a disputas jurídicas, negociações com governos estaduais e processos de encampação de empresas privadas. Esse movimento consolidou uma rede que se estendia por grande parte do território brasileiro, conectando regiões produtoras de matérias-primas aos principais centros industriais e portos exportadores.

Apesar do esforço de reorganização, a RFFSA nasceu em um contexto de redefinição da matriz de transportes, marcado pela prioridade conferida à construção de rodovias e pela expansão da nova indústria automobilística. Sendo assim, iniciaram uma modernização do sistema ferroviário.

Expansão das atribuições e planejamento tecnocrático (1964-1974)

A partir da década de 1960, a atuação da RFFSA passou a ser redefinida em consonância com o processo de centralização administrativa promovido pelo regime militar e com a adoção de políticas de planejamento de caráter tecnocrático. Nesse contexto, a empresa foi progressivamente integrada aos instrumentos de formulação da política nacional de transportes, deixando de ser apenas uma operadora ferroviária para assumir funções de coordenação e racionalização do sistema.

A inflexão decisiva ocorreu com a extinção do Departamento Nacional de Estradas de Ferro e a transferência de suas competências para a Rede Ferroviária, por meio da. A partir de então, a empresa passou a exercer atribuições normativas e de fiscalização do transporte ferroviário em escala nacional, além de coordenar estudos tarifários, avaliar o desempenho do sistema e planejar sua padronização técnica.

Essa ampliação institucional esteve articulada ao II Plano Nacional de Desenvolvimento, que atribuía ao setor ferroviário papel estratégico na logística de transporte de cargas pesadas e de longa distância, especialmente para o escoamento da produção mineral e agrícola. Na prática, contudo, os investimentos permaneceram concentrados em corredores específicos e na manutenção da malha existente, sem que se efetivasse a expansão estrutural prevista nos planos governamentais.

Do ponto de vista organizacional, esse período foi marcado por tentativas de modernização administrativa, com a criação de sistemas de controle operacional, programas de reequipamento e iniciativas de padronização do material rodante e das vias permanentes. Essas medidas buscavam reduzir os custos operacionais e aumentar a produtividade em um cenário de crescente concorrência com o transporte rodoviário, cuja expansão era favorecida pela política de industrialização automobilística e pela construção de rodovias.

Nesse período, novas ferrovias foram construídas:

Nova Andradina á Campo Grande, MS, 1965-1966.

Xique-Xique (BA) á Formoso do Rio Preto (SF), 1965-1966.

Ponte Rodo ferroviária entre Aurá e São Luís (MA), 1966-1971.

Roca Sales á Cruz Alta, RS, 1971-174.

Itapeva (SP) á Ponta Grossa (PR), 1973-1975.

Mafra (SC) á Porto Alegre (RS), 1968-1975.

Crise fiscal, especialização operacional e retração da malha (1975-1992)

No plano operacional, consolidou-se uma especialização no transporte de grandes volumes de cargas homogêneas e de baixo valor agregado, como minérios, combustíveis, cimento e produtos agrícolas. Essa reorientação refletia tanto as limitações estruturais da empresa quanto a lógica da política de transportes vigente, que reservava ao modal ferroviário a função de suporte às cadeias exportadoras e às atividades industriais de base.

A criação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos em 1984 representou um marco na redefinição das atribuições da RFFSA, ao transferir para a nova empresa a operação dos sistemas metropolitanos de passageiros. Com isso, a Rede concentrou suas atividades no transporte de média e longa distância, segmento em que a participação do transporte de passageiros se tornou progressivamente residual em termos de receita.

Durante a década de 1980, a combinação entre inflação elevada, restrições orçamentárias e aumento do passivo financeiro agravou a situação econômica da empresa. A insuficiência de receitas operacionais, associada ao crescimento do endividamento e às obrigações trabalhistas, evidenciou a incapacidade de autofinanciamento e reforçou a percepção, no âmbito da política econômica federal, de que a reestruturação do setor ferroviário exigiria a adoção de novos modelos de gestão e financiamento.

Nesse contexto, a RFFSA foi incluída no Programa Nacional de Desestatização em 1992, medida que inaugurou o processo de transferência da operação do transporte ferroviário de cargas para a iniciativa privada por meio de concessões regionais.

Desestatização e concessões ferroviárias (1992-1999)

A inclusão da RFFSA no Programa Nacional de Desestatização por meio do Decreto n.º 473, de 1992, inseriu o sistema ferroviário federal no conjunto das reformas estruturais implementadas pelo Estado brasileiro no contexto de estabilização econômica e redefinição de suas funções produtivas.

O modelo adotado baseou-se na concessão da operação do transporte ferroviário de cargas à iniciativa privada, mantendo a União como proprietária da infraestrutura e dos bens operacionais. Essa solução buscava atrair investimentos para a recuperação da malha, elevar os níveis de produtividade e reduzir o déficit público associado à manutenção direta da empresa.

Para viabilizar o processo, a rede foi segmentada em malhas regionais (Oeste, Centro-Leste, Sudeste, Sul, Norte e  Nordeste) posteriormente acrescidas da malha Paulista com a incorporação da Ferrovia Paulista S/A em 1998. Cada uma dessas unidades foi leiloada separadamente entre 1996 e 1998, com contratos de concessão de longo prazo que estabeleciam metas de produção, recuperação da infraestrutura e ampliação da capacidade de transporte.

A transferência das operações resultou na formação de um novo arranjo empresarial no setor ferroviário, caracterizado pela presença de grandes grupos vinculados à mineração, à siderurgia e ao agronegócio. Esse padrão refletia a especialização do modal no transporte de cargas de grande volume e baixa agregação de valor, reforçando sua integração às cadeias logísticas exportadoras.

No caso do transporte de passageiros de longa distância, a ausência de mecanismos de subsídio e a baixa rentabilidade econômica levaram à sua progressiva descontinuidade, consolidando a predominância do transporte ferroviário de cargas no sistema nacional.

A incorporação da FEPASA, em 1998, ocorreu quando a RFFSA já se encontrava em processo de liquidação e teve como objetivo permitir a inclusão da malha paulista no programa de concessões, completando a transferência da operação das principais linhas ferroviárias federais ao setor privado.

Com a conclusão dos leilões e a transferência das operações, a RFFSA deixou de atuar como operadora ferroviária em 1999, passando a exercer funções relacionadas à gestão de seu passivo, à administração dos contratos remanescentes e à coordenação do processo de liquidação. 


Sudeste Nordeste Ferrovias.

Tempo de Operação: 1985-2010.

Bitola: 1,600 mm.

Transporte: Ferroviário, cargas e passageiros.

Sede: Belo Horizonte, MG.

Local: Brasil.

Áreas: Minas Gerais, Minas do Norte, Ilhéus e Bahia.

Nos planejamentos do Grande Plano Ferroviário em 1956, estava em estudos uma variante de Minas Gerais ao Pernambuco, já que o governo pretendia padronizar a malha nacional. Foi então que em 1984, os governos de Minas Gerais, Minas do Norte, Ilhéus e Bahia se uniram e adquiriram o projeto. Parte do projeto era conseguir adquirir a linha de Nazaré na Bahia á Jequié em Ilhéus da Rede Ferroviária Federal S.A, a empresa entrou em acordo e cedeu o trajeto. Em 1984 foi criada a Sudeste Nordeste Ferrovias, e em 1985 deram início ás obras da linha de Belo Horizonte á Salvador na Bahia no sentido norte sul, passando em Araçuaí em Minas do Norte e Vitória da Conquista em Ilhéus, sendo finalizada em 1989. Foi construída também a mega ponte sobre a Bahia de Todos os Santos no estado da Bahia, e uma bitola mista entre Nazaré e Salvador. A empresa teve um papel importe para o crescimento do Brasil e dos transportes. Em 2010, a Sudeste Nordeste Ferrovias foi adquirida pela V.L.I (Valor da Logística Integrada).  



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Pix: 033 064 281 24. Jonas Alexandre Xerém da Silva.