Essa é uma história
fictícia, e também a parte real, mostrando um Brasil diferente do que é na
realidade.
Por vários séculos, o povoamento no Brasil se concentrava no litoral e próximo á ele, havia, pouquíssimas cidades nas regiões distantes como Goiás a antiga capital do estado de Goiás, Cuiabá capital do Mato Grosso e Corumbá no Mato Grosso do Sul. E outras cidades no Norte, como Belém, Santarém, Manaus e outros. Por séculos o transporte no Brasil era naval e por tração animal, por exemplo, uma viagem da cidade do Rio de Janeiro á Goiás a capital antiga durava meses e muito cansaço e perigos pelo caminho. Mas o povo da época já tinha conhecimento das rotas e algumas regiões mais conhecidas, principalmente os indígenas os primeiros habitantes.
Primeira conquista
(1500-1822).
Tudo começou com a
chegada dos portugueses ao Brasil em abril de 1500 á partir Porto Seguro,
ficando encantados e impressionados com o novo mundo e tendo contato com os
indígenas. Assim se iniciou as explorações no Brasil atraído mais portugueses á
futura colônia. A primeira cidade a ser fundada foi São Vicente, atualmente no
estado de São Paulo, e em 1534 foi dividias as 14 capitanias hereditárias.
Anteriormente em 1494, foi criado o Tratados de Tordesilhas entre Portugal e
Espanha dividindo o Brasil em duas partes, onde o leste ficou para Portugal e o
oeste para a Espanha. Com a criação da colônia, novas expedições foram feitas
nas longas terras vastas do Brasil, e o contato com as tribos indígenas. A
descoberta do Pau Brasil e ouro chamou muita a atenção dos portugueses,
trazendo mais portugueses e a construção de fortes militares e núcleos de
povoamento. Mas o problema é que infelizmente a paz e a prosperidade dos
indígenas acabou por conta de conflitos e mais conflitos trouxe também a
escravidão dos indígenas. Em 1550 foi criada uma divisão de capitanias no
Brasil com o plano de melhorar a administração, pois as antigas capitanias não
cresciam economicamente e foram extintas.
Em 1755, Portugal e
Espanha assinam o Tratado de Madri, onde a parte dominada pelos espanhóis foi
anexada á colônia do Brasil de Portugal, aumentando o domínio do país. Com a
expansão portuguesa no novo território, surgiram Belém, Santarém, Manaus no
norte do Brasil, novos fortes militares núcleos de povoamento. Durante o
domínio espanhol no oeste do Brasil já existiam núcleos de povoamento, como
Cuiabá. Anteriormente em 1748, foi criada a capitania do Mato Grosso, tendo sua
capital Vila Bela da Santíssima Trindade.
Segunda conquista
(1822-1899).
Em 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal, tornando-se um império e um dos mais países do mundo criando relações com outras nações. A partir de então foram criados projetos de infraestrutura, educação, forças armadas e novas explorações em terras vastas. Nos anos 1830 foram feitos estudos de ferrovias e hidrovias para integrar o Brasil e novas expedições pelo país. Mas, haviam obstáculos pela frente, uma delas convencer e fazer acordos de paz com os indígenas para as construções das ferrovias em suas terras, o que levou algum tempo para acontecer.
Em 1848 foi iniciada a
construção da primeira ferrovia na província do Rio de Janeiro, sendo concluída
em 1850, mas somente a partir desse ano foi que iniciou a expansão das
ferrovias para conectar litoral ao oeste brasileiro. Umas das grandes obras foi
da Pacitlântico, da cidade do Rio de Janeiro a capital brasileira na época até
Forte Guaporé no Mato Grosso (atualmente no Novo Paraguai), passando por Minas
Gerais, e Goiás. Outras linhas como a da Leste Oeste da Bahia á Goiás, da Great
Western of Brazil do Pernambuco ao Maranhão, da Ilhéus Centro da Bahia á Goiás,
e da Sorocabana de São Paulo ao Mato Grosso, o que atraiu pessoas em busca de
terras, recursos e madeira.
As construções de hidrovias também foram fundamentais no crescimento do Brasil, como as dos rios Tietê, São Francisco, Paraná, Araguaia e outros, permitindo também a ligação com os países vizinhos, como a Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela. Com isso ocorreu o crescimento da agricultura, pecuária, extrações minerais e de novas cidades, e, também dos transportes por tração animal melhorando as estradas com novas pontes, e, também a comunicação. Em 1864 rompe a guerra do Brasil e Paraguai por causa da invasão do país em terras brasileiras, que durou até 1870, e parte do Paraguai foi anexada o Brasil, e se iniciou as construções de novas ferrovias e o povoamento em Mato Grosso do Sul, criado em 1877.
Trem da Pacitlântico em Goiás, 1866.
Entre 1848 á 1890, mais
de 30 mil quilômetros de ferrovias foram construídas pelo Brasil, fazendo a
grande conexão entre Sul, Sudeste e Nordeste do país, e parte do Centro Oeste e
Norte.
Terceira conquista (1907 aos dias atuais).
Com a chega do século XX, novos projetos de expansão rumo ao Norte estavam em estudos, até mesmo estradas de leito natural, nessa época, o marechal Cândido Mariano Rondon propôs uma ferrovia e telégrafo de Comodoro no Mato Grosso (atualmente no Novo Paraguai) á Porto Velho em Rondônia (na época em Mato Grosso). Foi então que a Pacitlântico se propôs em construir a ferrovia para no futuro fazer a conexão com a Colômbia. Em 1907 iniciou-se a construção da linha no sentido leste oeste, tendo sua conclusão em 1915, permitindo a conexão entre o Sudeste, Centro Oeste e Norte. Na época o Brasil anexou novas terras da Bolívia, Colômbia, Guiana e Guiana Francesa, aumentando ainda mais seu território.
Cândido Mariano Rondon
durante suas explorações na Amazônia.
Em 1927 o Brasil e o Peru se conectaram pelos trilhos da Trans Amazônica no Acre, dando um novo acesso ao Oceano Pacífico. Em 1939, Cândido Rondon propôs a criação de novos estados e territórios no Brasil para administrar melhor o país, e a construção de novas ferrovias no Centro Oeste e Norte, mas foi descartada a ideia de construir rodovias na Amazônia. Em 1943 foram criados: Amapá, Carajás, Desbravadouro, Nova Guiana, Novo Paraguai, Purus, Guaporé (atual Rondônia, Rio Branco (atual Roraima), Rio Negro e Solimões, dando o total de 41 unidades administrativas no Brasil.
Locomotiva da Trans Amazônica em Rondônia, 1956.
A ideia antes era fazer somente ferrovias na Amazônia, mas com o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) as coisas mudaram. Foi criado o projeto de rodovias na grande floresta e se conectar aos outros países vizinhos. E foi nessa que começaria uma conquista diferente das anteriores, uma conquista que traria progresso, mas ao mesmo tempo consequências no futuro, não somente na Amazônia, mas também na Mata Atlântica e Cerrado. As primeiras rodovias a cruzarem a Amazônia foram as BR 130 (atual 010) e a BR 29 (atual 364), dando o início a construção de outras. Nas demais parte do Centro Oeste e Norte, rodovias modernas e pavimentadas foram construídas, formando novas cidades e expandindo a agricultura e pecuária.
Projetos de hidroelétricas foram criados também no Centro Oeste e Norte para atender o crescimento populacional urbano e rural e de indústrias, e foi então também que se iniciou a extração de madeira e recursos.
BR-364, Rondônia, 1960.
Em 1964 ocorreu o golpe militar, onde os militares derrubaram o presidente João Goulart e instalaram um governo com regime militar, controlando a imprensa e combatendo o comunismo. Nessa época foram criados projetos para expandir ainda mais as ferrovias e rodovias no Centro Oeste, Nordeste e Norte. Foram criados também projetos de novas hidroelétricas e a expansão da agricultura e pecuária, garimpos e extração de madeira, trazendo mais pessoas a essas regiões.
A partir de 1967 se
iniciou as obras planejadas pelas regiões, uma delas a linha ferroviária da Trans
Amazônica de Humaitá no estado do Madeira á Macapá no Amapá, a BR-230, a Transamazônica
da Paraíba á Purus, a hidroelétrica de Tucuruí no Pará e outros investimentos
em saúde, educação, comunicação e segurança. Com a expansão surgiram novas
cidades, fazendas, indústrias, novas explorações e descobertas de rios e outros
lugares, e também atraindo o turismo. Também foram demarcadas as áreas indígenas
e a construção de municípios indígenas, como Ribeiralta (Maraiwatsede) no estado
do Xingu e Alto Cuminá em Nova Guiana. Um dos grandes projetos foi o Carajás em 1967,
onde foi descoberta a maior jazida de ferro do mundo. em Paraopebas, no estado
do Carajás. Em 1986, o governo federal criou a Lei de Tráfego Rodoviário na
Amazônia, reduzindo a circulação de veículos pelas rodovias e aumentando o tráfego
por ferrovias, evitando acidentes e danos ao meio ambiente.
Construção da hidroelétrica de Tucuruí, Pará, de 1976 a 1984.
No Centro Oeste também ocorreram
novas expansões urbanas, rurais, extração de minérios e madeira, ferrovias,
rodovias, hidroelétricas. E não podemos esquecer também de mencionar a região
Sul, onde também ocorreu a expansão nas partes despovoadas. Mas infelizmente
grandes partes da Mata Atlântica e Cerrados foram devastadas dos anos 1950 á
1970. Até 1989, grande parte da Amazônia estavam preservadas, mas a partir de
1990, foi onde se iniciou de fato o desmatamento acelerado, e com isso aumentou
os conflitos com indígenas, crimes, trabalho escravo, contaminação nos rios por
causa do garimpo e outros. Surgiram movimentos e ongs em defesa do meio ambiente
e dos indígenas, mas, mesmo assim, a devastação continuou.
Mapa agrícola do Brasil
em 2021.
A partir dos anos 2000 e
2010, a Amazônia, Cerrado, e Mata Atlântica ganharam apoio de mais brasileiros
e outros países no combate ao desmatamento e invasão nas terras indígenas. O
progresso trouxe ferrovias, rodovias, novas cidades, conexões ás regiões distantes
e outros, mas, até quando irão continuar destruindo as florestas, matando os animais,
os indígenas? Não seria melhor seguir o plano antigo, construir apenas
ferrovias na Amazônia e preservá-la? O que estamos recebendo de bom com esses
desastres? Será que ainda virá a quarta conquista? O futuro está em nossas
mãos.
Pix:
033 064 281 24. Jonas Alexandre Xerém da Silva.




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