sexta-feira, 13 de março de 2026

A conquista do leste ao oeste do Brasil (i). Jonas Alexandre Xerém da Silva – JAXS

 


Essa é uma história fictícia, e também a parte real, mostrando um Brasil diferente do que é na realidade.

Por vários séculos, o povoamento no Brasil se concentrava no litoral e próximo á ele, havia, pouquíssimas cidades nas regiões distantes como Goiás a antiga capital do estado de Goiás, Cuiabá capital do Mato Grosso e Corumbá no Mato Grosso do Sul. E outras cidades no Norte, como Belém, Santarém, Manaus e outros. Por séculos o transporte no Brasil era naval e por tração animal, por exemplo, uma viagem da cidade do Rio de Janeiro á Goiás a capital antiga durava meses e muito cansaço e perigos pelo caminho. Mas o povo da época já tinha conhecimento das rotas e algumas regiões mais conhecidas, principalmente os indígenas os primeiros habitantes.

 


Primeira conquista (1500-1822).

Tudo começou com a chegada dos portugueses ao Brasil em abril de 1500 á partir Porto Seguro, ficando encantados e impressionados com o novo mundo e tendo contato com os indígenas. Assim se iniciou as explorações no Brasil atraído mais portugueses á futura colônia. A primeira cidade a ser fundada foi São Vicente, atualmente no estado de São Paulo, e em 1534 foi dividias as 14 capitanias hereditárias. Anteriormente em 1494, foi criado o Tratados de Tordesilhas entre Portugal e Espanha dividindo o Brasil em duas partes, onde o leste ficou para Portugal e o oeste para a Espanha. Com a criação da colônia, novas expedições foram feitas nas longas terras vastas do Brasil, e o contato com as tribos indígenas. A descoberta do Pau Brasil e ouro chamou muita a atenção dos portugueses, trazendo mais portugueses e a construção de fortes militares e núcleos de povoamento. Mas o problema é que infelizmente a paz e a prosperidade dos indígenas acabou por conta de conflitos e mais conflitos trouxe também a escravidão dos indígenas. Em 1550 foi criada uma divisão de capitanias no Brasil com o plano de melhorar a administração, pois as antigas capitanias não cresciam economicamente e foram extintas.

Em 1755, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Madri, onde a parte dominada pelos espanhóis foi anexada á colônia do Brasil de Portugal, aumentando o domínio do país. Com a expansão portuguesa no novo território, surgiram Belém, Santarém, Manaus no norte do Brasil, novos fortes militares núcleos de povoamento. Durante o domínio espanhol no oeste do Brasil já existiam núcleos de povoamento, como Cuiabá. Anteriormente em 1748, foi criada a capitania do Mato Grosso, tendo sua capital Vila Bela da Santíssima Trindade.

Segunda conquista (1822-1899).

Em 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal, tornando-se um império e um dos mais países do mundo criando relações com outras nações. A partir de então foram criados projetos de infraestrutura, educação, forças armadas e novas explorações em terras vastas. Nos anos 1830 foram feitos estudos de ferrovias e hidrovias para integrar o Brasil e novas expedições pelo país. Mas, haviam obstáculos pela frente, uma delas convencer e fazer acordos de paz com os indígenas para as construções das ferrovias em suas terras, o que levou algum tempo para acontecer.

 


Em 1848 foi iniciada a construção da primeira ferrovia na província do Rio de Janeiro, sendo concluída em 1850, mas somente a partir desse ano foi que iniciou a expansão das ferrovias para conectar litoral ao oeste brasileiro. Umas das grandes obras foi da Pacitlântico, da cidade do Rio de Janeiro a capital brasileira na época até Forte Guaporé no Mato Grosso (atualmente no Novo Paraguai), passando por Minas Gerais, e Goiás. Outras linhas como a da Leste Oeste da Bahia á Goiás, da Great Western of Brazil do Pernambuco ao Maranhão, da Ilhéus Centro da Bahia á Goiás, e da Sorocabana de São Paulo ao Mato Grosso, o que atraiu pessoas em busca de terras, recursos e madeira.


As construções de hidrovias também foram fundamentais no crescimento do Brasil, como as dos rios Tietê, São Francisco, Paraná, Araguaia e outros, permitindo também a ligação com os países vizinhos, como a Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela. Com isso ocorreu o crescimento da agricultura, pecuária, extrações minerais e de novas cidades, e, também dos transportes por tração animal melhorando as estradas com novas pontes, e, também a comunicação. Em 1864 rompe a guerra do Brasil e Paraguai por causa da invasão do país em terras brasileiras, que durou até 1870, e parte do Paraguai foi anexada o Brasil, e se iniciou as construções de novas ferrovias e o povoamento em Mato Grosso do Sul, criado em 1877.

                                            Trem da Pacitlântico em Goiás, 1866.


 Anos depois a energia e o telefone chegaram no Brasil, iniciando uma nova era de comunicação no país. O Brasil também anexou novas terras da Bolívia e Argentina, aumentando seu território. Em 1889, o Brasil deixa de ser monarquia e se uma república, criando uma nova forma de governo e atraindo cidadãos de outros países. E Dom Pedro II deixa seu grande legado de esforços do desenvolvimento da nação.
Mapa das ferrovias do Brasil em 1880.

Entre 1848 á 1890, mais de 30 mil quilômetros de ferrovias foram construídas pelo Brasil, fazendo a grande conexão entre Sul, Sudeste e Nordeste do país, e parte do Centro Oeste e Norte.

Terceira conquista (1907 aos dias atuais).

Com a chega do século XX, novos projetos de expansão rumo ao Norte estavam em estudos, até mesmo estradas de leito natural, nessa época, o marechal Cândido Mariano Rondon propôs uma ferrovia e telégrafo de Comodoro no Mato Grosso (atualmente no Novo Paraguai) á Porto Velho em Rondônia (na época em Mato Grosso). Foi então que a Pacitlântico se propôs em construir a ferrovia para no futuro fazer a conexão com a Colômbia. Em 1907 iniciou-se a construção da linha no sentido leste oeste, tendo sua conclusão em 1915, permitindo a conexão entre o Sudeste, Centro Oeste e Norte. Na época o Brasil anexou novas terras da Bolívia, Colômbia, Guiana e Guiana Francesa, aumentando ainda mais seu território.

Cândido Mariano Rondon durante suas explorações na Amazônia.

Em 1927 o Brasil e o Peru se conectaram pelos trilhos da Trans Amazônica no Acre, dando um novo acesso ao Oceano Pacífico. Em 1939, Cândido Rondon propôs a criação de novos estados e territórios no Brasil para administrar melhor o país, e a construção de novas ferrovias no Centro Oeste e Norte, mas foi descartada a ideia de construir rodovias na Amazônia. Em 1943 foram criados: Amapá, Carajás, Desbravadouro, Nova Guiana, Novo Paraguai, Purus, Guaporé (atual Rondônia, Rio Branco (atual Roraima), Rio Negro e Solimões, dando o total de 41 unidades administrativas no Brasil.

Locomotiva da Trans Amazônica em Rondônia, 1956.

A ideia antes era fazer somente ferrovias na Amazônia, mas com o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) as coisas mudaram. Foi criado o projeto de rodovias na grande floresta e se conectar aos outros países vizinhos. E foi nessa que começaria uma conquista diferente das anteriores, uma conquista que traria progresso, mas ao mesmo tempo consequências no futuro, não somente na Amazônia, mas também na Mata Atlântica e Cerrado. As primeiras rodovias a cruzarem a Amazônia foram as BR 130 (atual 010) e a BR 29 (atual 364), dando o início a construção de outras. Nas demais parte do Centro Oeste e Norte, rodovias modernas e pavimentadas foram construídas, formando novas cidades e expandindo a agricultura e pecuária.

Projetos de hidroelétricas foram criados também no Centro Oeste e Norte para atender o crescimento populacional urbano e rural e de indústrias, e foi então também que se iniciou a extração de madeira e recursos.

                                                        BR-364, Rondônia, 1960.

Em 1964 ocorreu o golpe militar, onde os militares derrubaram o presidente João Goulart e instalaram um governo com regime militar, controlando a imprensa e combatendo o comunismo. Nessa época foram criados projetos para expandir ainda mais as ferrovias e rodovias no Centro Oeste, Nordeste e Norte. Foram criados também projetos de novas hidroelétricas e a expansão da agricultura e pecuária, garimpos e extração de madeira, trazendo mais pessoas a essas regiões. 



A partir de 1967 se iniciou as obras planejadas pelas regiões, uma delas a linha ferroviária da Trans Amazônica de Humaitá no estado do Madeira á Macapá no Amapá, a BR-230, a Transamazônica da Paraíba á Purus, a hidroelétrica de Tucuruí no Pará e outros investimentos em saúde, educação, comunicação e segurança. Com a expansão surgiram novas cidades, fazendas, indústrias, novas explorações e descobertas de rios e outros lugares, e também atraindo o turismo. Também foram demarcadas as áreas indígenas e a construção de municípios indígenas, como Ribeiralta (Maraiwatsede) no estado do Xingu e Alto Cuminá em Nova Guiana.  Um dos grandes projetos foi o Carajás em 1967, onde foi descoberta a maior jazida de ferro do mundo. em Paraopebas, no estado do Carajás. Em 1986, o governo federal criou a Lei de Tráfego Rodoviário na Amazônia, reduzindo a circulação de veículos pelas rodovias e aumentando o tráfego por ferrovias, evitando acidentes e danos ao meio ambiente.

Construção da hidroelétrica de Tucuruí, Pará, de 1976 a 1984.

No Centro Oeste também ocorreram novas expansões urbanas, rurais, extração de minérios e madeira, ferrovias, rodovias, hidroelétricas. E não podemos esquecer também de mencionar a região Sul, onde também ocorreu a expansão nas partes despovoadas. Mas infelizmente grandes partes da Mata Atlântica e Cerrados foram devastadas dos anos 1950 á 1970. Até 1989, grande parte da Amazônia estavam preservadas, mas a partir de 1990, foi onde se iniciou de fato o desmatamento acelerado, e com isso aumentou os conflitos com indígenas, crimes, trabalho escravo, contaminação nos rios por causa do garimpo e outros. Surgiram movimentos e ongs em defesa do meio ambiente e dos indígenas, mas, mesmo assim, a devastação continuou.

Mapa agrícola do Brasil em 2021.

A partir dos anos 2000 e 2010, a Amazônia, Cerrado, e Mata Atlântica ganharam apoio de mais brasileiros e outros países no combate ao desmatamento e invasão nas terras indígenas. O progresso trouxe ferrovias, rodovias, novas cidades, conexões ás regiões distantes e outros, mas, até quando irão continuar destruindo as florestas, matando os animais, os indígenas? Não seria melhor seguir o plano antigo, construir apenas ferrovias na Amazônia e preservá-la? O que estamos recebendo de bom com esses desastres? Será que ainda virá a quarta conquista? O futuro está em nossas mãos.


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Pix: 033 064 281 24. Jonas Alexandre Xerém da Silva.













 





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